Entre os especialistas de Recursos Humanos não há consenso sobre quais são as melhores maneiras de
inaugurar a carteira de trabalho. Para quem espera uma oportunidade, empresas que investem em formação de mão de obra e setores básicos como vendas e telemarketing são as opções mais procuradas.
No entanto, quem ainda não conseguiu o primeiro emprego não precisa se preocupar. Algumas empresas não fazem exigência de experiência e investem na formação de mão de obra.
“Para eles, o candidato não ter experiência é até bom, porque facilita moldar o funcionário dentro do perfil do empregador”, afirma a coordenadora de serviços da Leader, Simone Leite, de 41 anos, há 22 na empresa. Ela contou que começou sua carreira como vendedora, num programa de primeiro emprego, da mesma forma que recrutou Amanda Inocêncio, de 19.
Simone fomenta a vontade de Amanda de fazer faculdade de Ciências Contábeis, pensando em ser aproveitada mais tarde em outro setor na mesma empresa. A moça começou há seis meses, em uma vaga para temporários e já foi efetivada.
“Eu precisava trabalhar. Tinha acabado meus estudos e não tinha experiência em nada. Aproveitei a oportunidade e mandei meu currículo. Fui logo chamada para a seleção”.
Quem entrevistou Amanda foi a própria Simone, que contou que o carisma e a comunicatividade da menina impressionaram desde o começo.
“Quando encontramos pessoas assim, sabemos que podemos aproveitá-la. É importante mostrar vontade de trabalhar, de crescer na empresa, curiosidade sobre o cargo e as funções na entrevista para que o recrutador possa perceber o interesse do jovem”, revela.
Aprendiz – A Leader tem um projeto para menores aprendizes. A empresa absorve estudantes, que trabalham por dois anos em jornada de quatro horas diárias e recebem aulas de conhecimentos gerais, como informática, ética ou atendimento ao consumidor.
Ana Carolina de Souza, de 19, Aprendiz da Leader, deve ser efetivada em breve, de acordo com Simone.
“Quero estudar Sistemas da Informação e o trabalho me permite pagar a faculdade, além do que, posso ser aproveitada na empresa depois de formada”, comenta.
A Ampla também forma mão de obra específica para as demandas, tanto da própria empresa, quanto de empresas parceiras. Quem comemora a contratação é Graciane Schottz, de 27 anos, hoje promovida a agente 3 na empresa.
“Eu tive muita dificuldade para conseguir meu primeiro emprego de carteira assinada. Um dia assisti a uma palestra do Projeto Consciência Ampla e me candidatei. Foi bem rápido, logo estava em treinamento e depois empregada. Agora penso em estudar psicologia porque descobri que gosto muito de lidar com as pessoas”, reflete.
A Ampla oferece ainda o curso profissionalizante para formação de eletricistas, desde 2004. Capacitar jovens funcionários da empresa ou moradores das comunidades carentes atendidas pela distribuidora é uma iniciativa que conta com as parcerias do Senac e do Movimento de Mulheres em São Gonçalo.
De acordo com a empresa, cerca de 80% dos jovens saem empregados ao final do curso, que tem duração média de cinco meses. Além de procedimentos técnicos da área, os alunos recebem informações sobre ética e cidadania. Os jovens que participam do projeto são indicados mas a empresa aceita inscrições por email, através do conscienciaampla@anpla.com.
Vagas – A assistente de RH do grupo Let, Carolina Correia, ressalta que as oportunidades estão nos jornais e na internet, e que em sua maioria são para atendente de lanchonete em cadeias de fast food, vagas em supermercados e oportunidades como auxiliar de serviços gerais, além de operadoras de telemarketing e vagas de vendas diretas, no comércio.
Na hora de preencher o currículo, falar a verdade pode ajudar.
“Na parte de experiência profissional, o jovem deve informar que busca o primeiro emprego para podermos encaminhá-lo a uma vaga correta, não adianta tentar enganar o recrutador, só retarda o processo”, enfatiza.
A consultora de RH da Catho Online, Daniella Correa, destaca que nesses casos é importante caprichar na hora de preencher o campo das qualificações para garantir que o currículo seja um dos escolhidos para as entrevistas.
“Considerando que o candidato estará em busca do primeiro emprego, o tópico “Experiência” dever ser excluído, e a ênfase precisa estar na descrição dessas qualificações”, observa.
Projeto – Um projeto de lei da deputada Clarissa Garotinho (PR) tenta mudar o rumo das contratações, pelo menos no Estado. De acordo com a deputada o Rio de Janeiro é o Estado com o maior índice de jovens sem emprego. Para melhorar a posição no ranking, ela tenta aprovar o projeto 14/2011, que pretende obrigar as empresas beneficiadas ou que recebem isenção fiscal do Estado a reservar 10% das vagas de trabalho ao primeiro emprego da juventude.
Seis passos para perder o medo da primeira entrevista
Um dos pontos decisivos para a seleção do primeiro emprego é a entrevista. Como em toda estreia, um pouco de nervosismo e ansiedade temperam a cena.
Para o coacher José Augusto Wanderley, do Instituto de neurolinguística aplicada (INAp), a entrevista para o primeiro emprego deve ser encarada como uma situação de compra e venda onde o candidato vende o seu trabalho e o entrevistador compra (ou não). Ele ressalta que garantir o sucesso na transação depende de seis pontos fundamentais.
1) Seja agradável - De acordo com uma pesquisa feita por professores das Universities of Washington e Florida, embora a maioria das pessoas diga que o mais importante para a escolha de um candidato sejam a qualificação e experiência, o fator decisivo encontrado foi o candidato parecer uma pessoa agradável.
2) Cuidado com generalizações - Assegure-se que seu currículo foque não apenas no conteúdo, mas também na forma. Como o layout de uma embalagem, o currículo vai apresentar você ao empregador. Para formatar com eficiência, procure saber sobre a cultura da empresa.
“Existem empresas em que você precisa ir de terno mas há outras em que se você for de terno perde pontos. Cada caso é um caso”, adverte.
3) Relaxe - Estabeleça o melhor relacionamento possível e o sentimento de nós com o entrevistador. Para isto pode ser necessário conversar sobre assuntos que não tenham nada a ver com o emprego, mas que sejam do interesse seu e do entrevistador. Saber o nome da pessoa pode ajudar se você puder fazer um elogio sincero;
4) Faça perguntas - Elas podem ser sobre necessidades, expectativas, valores e desejos. Saiba sobre o cargo que você está pleiteando. Todo cargo tem uma função: gerar produtos e serviços para clientes internos ou externos. Procure identificar a forma como você pode contribuir para o sucesso da empresa.
4) Nada de arrogância - Mostre competência, mas de forma modesta. Procure usar um vocabulário simples e mostrar que você é flexível, determinado, comprometido, responsável, aceita desafios e gosta de crescer e evoluir.
5) Bola para a frente - Se você cometer algum erro, não entre em pânico. Nunca foque no erro. A dica é dar a volta por cima e mostrar o que você tem de positivo, como impressão permanente.
A sexta dica vem de Braulio Candian Jr., diretor e Coaching da Sampling Planejamentos. Antes da entrevista, ele aconselha que o candidato estude sobre a empresa.
“Pode ser através de notícias ou pela leitura atenta do site onde o interessado vai conhecer um pouco sobre os produtos da empresa, sua missão e seus valores”, afirma.
O FLUMINENSE