As mulheres de São Gonçalo continuam na luta contra a violência e meios para dar melhor assistência às vítimas. Ontem, no dia em que foi comemorado o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, integrantes do Movimento de Mulheres em São Gonçalo, do Conselho Municipal da Mulher e da Subsecretaria Municipal de Políticas para as Mulheres promoveram mobilização na Praça Carlos Gianelli, em Alcântara. O objetivo era despertar a população feminina dos seus direitos. As atividades, no entanto, vão ocorrer durante 16 dias.
A ação vem sendo desenvolvida no Brasil há sete anos. O evento integra as atividades da 20ª edição da campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres, que ocorre em 159 países do mundo de forma simultânea. Segundo a subsecretária de políticas para as mulheres de São Gonçalo, Marisa Chaves, desde a criação da Subsecretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, em agosto de 1997, já foram realizados cerca de 46 mil atendimentos de orientação e acompanhamento continuado. Cerca de 215 novos casos foram contabilizados este ano. A violência também atinge as crianças e adolescentes, que recebem atendimento através do Núcleo Especial de Atendimento a Criança e ao Adolescente (Neaca) que tem, atualmente, 700 casos em acompanhamento.
Uma das assistidas do programa, uma menina de 12 anos, que apanhava do pai alcoólatra, foi até a praça reforçar o evento, acompanhada da mãe. “Minha filha fez tratamento durante três anos no Neaca. Hoje, só tenho a agradecer. Por isso, fiz questão de vir aqui ajudar a levantar essa bandeira”, opinou a mãe.
Segundo Marisa, uma das principais reivindicações do movimento em São Gonçalo é para a criação de, pelo menos, mais três Centros Especiais de Orientação a Mulher (Ceom). Atualmente, existe apenas o Ceom Zuzu Angel, em Neves, e outro em construção no bairro Jardim Catarina, que deve ser inaugurado em março do ano que vem.
Outra luta do movimento é para a criação de Casas Abrigo, que seriam destinadas às mulheres vítimas de violência doméstica e seus filhos (de até 14 anos). “A partir do momento em que as pessoas passarem a refletir sobre as suas condições e passarem a respeitar o próximo, erradicando qualquer tipo de violência, já sinto que o trabalho valeu a pena, mas sabemos que é um trabalho árduo”, opinou Marisa. O Movimento de Mulheres em São Gonçalo fica na Rua Rodrigues da Fonseca, 201, Zé Garoto, São Gonçalo. As reuniões ocorrem todas as terças, das 10h às 13h. O número para denúncias da Central de Atendimento a Mulher é o 180 e funciona 24h por dia.
Quatro datas significativas O período de 25 de novembro a 10 de dezembro foi escolhido como foco de ação da Campanha 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres por compreender quatro datas significativas:
- 25 de novembro – Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher: Homenagem às irmãs Mirabal, opositoras da ditadura de Rafael Leônidas Trujillo, na República Dominicana. As irmãs foram brutalmente assassinadas em 1960.
- 1º de dezembro – Dia Mundial de Combate à Aids: Estatísticas indicam crescimento significativo e preocupante de casos de mulheres contaminadas.
- 6 de dezembro – Campanha do Laço Branco: Mobilização mundial de homens pelo fim da violência contra as mulheres. Data para relembrar o massacre de Montreal, no Canadá, quando quatorze estudantes da Escola Politécnica de Montreal foram assassinadas em 1989.
- 10 de dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos: Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada pela Organização das Nações Unidas como resposta à violência da Segunda Guerra Mundial.
Triste estatística de São Gonçalo Dados do “Dossiê Mulher”, realizado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Estado do Rio de Janeiro revela que São Gonçalo está em 1º lugar no ranking do Estado com o maior número de vítimas de ameaça proveniente de violência doméstica ou familiar, no ano passado, com 2094 ocorrências. Nos crimes de atentado violento ao pudor e estupro, a cidade aparece em 2º lugar com 188 denúncias. As tentativas de homicídio somaram 13 ocorrências, os homicídios dolosos (com intenção de matar) foram 23 e lesão corporal, 2693. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, uma em cada quatro mulheres é vítima de abusos sexuais por seu parceiro e quase metade das mulheres assassinadas são vítimas deles. Mas a violência assume diversas formas: agressão física, sexual, assédio psicológico, entre outras.